quinta-feira, outubro 19, 2006


A Academia de Coimbra entre 1880-1926 Posted by Picasa
Manuel Alberto Carvalho Prata, docente da Escola Superior de Educação da Guarda e colaborador do CEIS-20, defendeu em 27 de Março de 1995 uma tese de doutoramento em Ciências da Educação (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC) sobre a Academia de Coimbra no período balizado entre 1880-1926. Foi desvelado orientador desta tese o Doutor Joaquim Ferreira Gomes (1928-2002) de saudosa memória.
Os estudos sobre a frequência discente da UC e aspectos do quotidiano académico não constituem em si um tema inteiramente novo, contando com antecedentes em Teófilo Braga, António de Vasconcelos, Manuel Gonçalves Cerejeira, Mário Brandão, Manuel Lopes de Almeida, Fernando Taveira da Fonseca e Joaquim Ferreira Gomes. Situando as coisas num nível mais empírico (não raro confundível com "curiosidades" e "velharias" de pendor saudoso) haverá que citar obrigatoriamente neste campo um António José Soares e um Alberto Sousa Lamy.
Carvalho Prata abre as portas do mundo universitário a um tema longamente considerado "menor" ou "marginal", justamente os dos costumes e vivências estudantis. Aborda com desenvoltura a Demografia Estudantil por faculdades, a irrupção da feminilização, os locais de habitação dos estudantes e sua proveniência sócio-familiar e geográfica. Passa aos trilhos do Real versus Imaginário, com dados preciosos sobre a cidade, os habitantes locais, as tascas, as aulas, os lentes, o estudo, a sempre "escorregadia" sexualidade, as repúblicas, a praxe, as festividades, o burlesco e o satírico. Um terceiro vasto capítulo é dedicado ao estudo inédito da afirmação da cultura estudantil através dos jornais e revistas. É todo um complexo universo adolescente, utópico, político, religioso, ideológico, pró-institucional e de contrapoder que se afirma efemeramente no curto tempo de cada geração. Numa segunda parte, Carvalho Prata demora-se na Cultura Estudantil de finais de oitocentos e de inícios do século XX, para finalmente dissertar sobre a republicanização da Academia de Coimbra.
Com nota de abertura de António de Almeida Santos ("Portentosa Revisitação") e comedida mensagem de Joaquim Ferreira Gomes ("Prefácio"), este livro pode constituir obra de estante de qualquer antigo estudante de Coimbra interessado nas "coisas" da sua Alma Mater. E aos novos não fará mal que o leiam, quando os tempos são mais de "floribelas" do que de memória histórica. A Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra (AAEC) e respectivas delegações regionais fará boa acção em distribuir este volume de robustas 584 páginas pelos seus associados em dias grandes de reuniões de curso, dia do Antigo Estudante e celebrações da Tomada da Bastilha. Aos especialistas da história da instrução pública não lesará saber que os jovens que fizeram a Academia de Coimbra foram estudantes matriculados em cursos diversos e também activos militantes de actividades extracurriculares. De uma e de outra se teceu a história da Academia de Coimbra, a tal ponto que uma figura consagrada no mundo das Ciências da Educação como Joaquim Ferreira Gomes não hesita em ver nas actividades associativas, especialmente no Clube Académico de Coimbra/Associação Académica de Coimbra a "faculdade prática" onde os estudantes se exercitavam.
Fonte: Manuel Alberto Carvalho Prata, "A Academia de Coimbra (1880-1926), Coimbra, Imprensa da Universidade, 2002.
Agradecimento: Doutor Manuel Carvalho Prata e Dra. Maria João de Castro
AMNunes

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